Trabalhando a Literatura de Cordel em sala de aula

A Literatura de cordel é um tipo de poema popular, oral e impressa em folhetos, geralmente expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. A expressividade e emoção com que os cordelistas apresentam suas rimas encantam a todos e faz desse gênero literário um dos mais queridos e respeitados em solo brasileiro.

Para incentivar a leitura e estimular o interesse pela cultura, adotamos a Literatura de Cordel como um recurso pedagógico em sala de aula, promovendo a participação dos alunos e o desenvolvimento criativo das produções de texto.

 

A origem da Literatura de Cordel

Veio para o Brasil com os portugueses, criando no Nordeste brasileiro essa cultura do cordel, que ainda hoje é tradicional. Por ser uma literatura local, sua existência fortalece o folclore e o imaginário regional, além de incentivar a leitura. Hoje, a literatura de cordel é reconhecida como patrimônio cultural imaterial, tendo até mesmo uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Graças à impressão em grande quantidade, o cordel popularizou-se por imprimir em papel as histórias rimadas dos repentistas que improvisavam rimas nas ruas e, depois, continuou sendo muito popular por contar histórias de maneira simplificada para seus leitores.

 

Benefícios para o aluno

A Literatura de Cordel tem base na oralidade, e lançar o desafio para os alunos em sala de aula pode ajudar a desenvolver a inteligência, o senso crítico, a capacidade de oratória e a organização das ideias. Ao falar de amor, de enfrentamentos e desafios, cada aluno tem a oportunidade de se conectar com as emoções e desempenhar um papel diferente do qual está acostumado, percebendo as variações da existência humana.

Por fim, a Literatura de Cordel, quando aplicada em sala de aula, pode restabelecer o contato com elementos populares de grande relevância para a formação cultural e histórica do país. Personagens, fatos e valores esquecidos com o passar do tempo, podem ser facilmente recuperados com o auxílio do cordel. Temas que poderiam passar despercebidos pela ausência de estudo e estímulo, podem vir a ser valorizados e recitados em voz alta pelos jovens.

 

O Desafio

As turmas 602 e 702 aceitaram o desafio de criar Cordéis na aula de Produção Textual. A frase mais ouvida foi: “Isso é muito difícil! ”, porém conseguiram produzir rimas magníficas. Mostraram que com esforço e parceria a dificuldade pode ser superada. Eles contaram também com a ajuda dos professores de Artes para fazer a capa simulando a xilogravura e com o de Informática para digitar o texto e montar o cordel. O saldo dos pequenos artistas foi positivo.

 

Festa Junina – Thamires Sousa da Silva (602)

O mês de junho chegou

O mês do milho

O mês que todo mudo esperou

O mês do frio

 

Comidas gostosas

Muita dança

Uma festa religiosa

Uma festança

 

Laços enfeitados

Chapéus de palha

Todos pintados

Uma graça

 

As bandeiras coloridas

Tudo já ensaiado

Para a grande quadrilha

Ser um barato

 

No final do dia

Todos cansados

A festa junina

Já havia acabado.

 

Festa Junina – Gustavo Oliver (602)

Festa junina é coisa boa

Tem comida de montão

Tem cocada, tem empada

Tem pastel e empadão

 

Leva a família pra sorrir

Vocês vão se divertir

Tem balão para soltar

E fogueira para pular

 

Sem contar que tem a dança

Que todo mundo se balança

Não importa o tamanho, se é adulto ou criança

O que importa é dançar com confiança

 

Também tem brincadeira

Com a dança da cadeira

Agora se vista e vá

Antes de acabar

 

Então aproveite enquanto há tempo

Se não depois é só lamento

Vamos rapaz escolha seu par

E vá pra festa dançar sem parar.

 

Festa junina e meio ambiente – Keila Cristina (602)

 

Hoje na escola

Vou começar a rimar

Sobre o meio ambiente

E uma festa popular

 

Não comprem animais

Que vem de contrabando

Assim você só os incentiva

A continuar roubando

 

Nosso mundo está perdido

Mas você pode ajudar

Não jogue lixo na rua

E não deixem desmatar

 

Todo mês de junho

Há uma festa popular

Se chama festa junina

E você pode participar

 

Traga a sua roupa

E se vista pra brincar

Porque na festa junina

Brincadeira não pode faltar.

 

 

As lendas – Isabelle Pereira de Sousa (602)

O saci Pererê era um menino de uma perna só

A cuca era uma bruxa má

Usava seus poderes só para enganar

O boitatá era uma cobra de fogo

Era grande e fazia mal para todo povo

 

 O boto cor de rosa era um homem bonito

Encantava as mulheres por toda a vida

A mula sem cabeça era uma mulher linda

Casou com um padre e nunca mais foi vista

 

Iara era uma sereia que gosta de cantar

Enfeitiça os homens e leva para o fundo do mar

É uma sereia muito bonita

Os homens se apaixonam à primeira vista

 

Já falei da mula e também do boto

Toma cuidado com ele, é muito perigoso

O saci gosta de festa

O curupira protege a floresta.

 

Amor – Beatriz Muniz (702)

O amor é uma loucura

Passa mal e sente tontura

Estar apaixonada é bom

Você sente um calafrio

Só de ouvir seu tom

O sentimento vira um desafio...

 

Ele alegra seu dia

Só de soltar um sorriso

É como se fosse um feitiço

Te faz delirar e perder o juízo

É incrível como um simples olá

Pode te fazer suspirar

 

Quando você se apaixona

É um caminho sem volta

O ato de sentir amor

É incrível

Você pode sentir

Isso é possível

 

Nada é melhor

Do que um amor correspondido

Mas isso é culpa do destino

Antes eu o tivesse conhecido

Meu passado seria mais legal

Com ele ao meu lado, genial

 

Eu sei que não posso me desvalorizar

Mas é inevitável

Gosto dele pra caramba

Tenho que parar

É uma paixão

Que não consigo controlar.

 

Solidão – Ana Flor (702)

 

Sempre olho a rua pela janela

Vejo um menino sozinho

Alguns jogam pelada

Ele só fica observando pela escada

Sempre zoam ele

Pois é café com leite

 

Quando vai para escola

Sofre bullying na hora

Tanto pela aparência e pela residência

Mora em uma simples comunidade

Chamada de Pedreira

Casa feita de madeira

 

A mãe é dona de casa

Seu pai é jardineiro

É difícil ter dinheiro

Comida sempre falta

A vestimenta sua mãe faz a mão

Suas roupas parecem de bicho papão

 

Na escola ele senta na frente

Com um feio óculos presente

Ele é muito inteligente

Os meninos jogam bolinha de papel

Pedindo sempre resposta

Ele sempre é acertado nas costas

 

Volta pra casa a pé

Sem ter sapato

Outros dizem que tem pé de pato

Uma senhora lhe deu um tênis e mochila

Pois só ai com o caderno e lápis na mão

Levando o peso nas costas da solidão.

 

Julgamento – Emilly Santana (702)

 

Ao julgar

O que você ganhará?

Por machucar

Você apanhará?

E a pessoa que sofre

Pode muito bem se aliviar com um corte

 

O julgado pode se fazer de forte

Mas também é possível sonhar com a morte

A pessoa que julga não sabe o que causa

E futuramente pode ter uma vida trágica

Julgar pode ser uma forma

De liberar a raiva

 

O julgador pode refletir

O que o mesmo vive

E sem amor ou compaixão

Pela pessoa que passa pela “julgação”

Assim causando depressão

Tão vivida no século XXI então

 

Ter respeito

É fundamental

Tem que ser natural

Ao julgar

O que vai ganhar?

O que dá esse direito?

 

Por isso se deve pensar

Antes de julgar

E o prejuízo futuro

Causador de distúrbio

E cuidar do próximo

E tendo amor próprio.

 

Preconceito e seu efeito – Bernardo Ramos (702)

 

Do futebol ao basquetebol

Todos têm seu preconceito

E também seu efeito

Mas nem sempre o respeito

E nessa situação

Tudo pode ser suspeito

 

Por que igualdade?

Por que não pode ser realidade?

Todos nós somos iguais

Não precisamos ser letais

Isso não é amar o esporte

Isso é desejar a morte!

 

Assim o esporte não se torna competitivo

Se torna cada vez mais primitivo

Quanto mais racista

Toda a nossa raça fica menos mista

Não podemos deixar que isso aconteça

Temos que fazer com que a igualdade permaneça

 

O que aconteceu com Malcom não pode ser esquecido

Situação que não foi boa ter vivido

Ser vaiado pela própria torcida

Teve sua esperança perdida

Vaiado pela sua cor

Todos sentiram sua dor

 

Tudo isso vai mudar

A situação vai passar

O branco tem que respeitar

Seja no esporte ou do lar

E quando tudo isso mudar

A igualdade vai reinar.

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